13
maio
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O perigo da autossabotagem para perder peso


Por Daniele Pereira Guimarães

Sabemos que para chegar a um peso saudável temos um árduo trabalho que nos exige dedicação, tempo, disposição para mudanças e planejamento. Definitivamente, perder peso não é uma tarefa fácil!

Mas, e se eu te dissesse que, na grande maioria das vezes, não somos capazes de alcançar ou manter os resultados almejados por pura autossabotagem?

Ao nos aproximarmos muito de um estado vivenciado como sendo de plenitude, experimentamos o medo, e vivemos uma sensação de ameaça. Parece que alguma tragédia passa a nos rondar e, a qualquer momento, nos alcançará. O estado de pânico pode ser tal que não conseguimos vislumbrar outra saída a não ser destruir aquilo que está provocando a felicidade e também o medo. Esta situação de plenitude ocorre frequentemente quando se atinge, ou se aproxima, do tão desejado peso ideal. Quem nunca viu alguém chegando à sua meta de peso e depois engordando tudo de novo?

O medo faz com que as pessoas pensem que seus projetos não darão certo. Muitas pessoas parecem ter sido “programadas” para fracassar. Não se sentem merecedoras da felicidade. Embora conscientemente aspirem a felicidade, inconscientemente sabotam seus mais sinceros ideais. E quando há um conflito entre um conteúdo inconsciente e uma vontade consciente… vence o lado inconsciente!

É uma espécie de medo de ser feliz. A felicidade parece incomodar, gerando ansiedade e desconforto. Por sua vez, o receio da satisfação traz um conflito. O monólogo interno desse embate poderia ser: “E se eu gostar? E se for feliz? E se der certo? Ai, que medo! Talvez aí eu tenha que mudar. Uma parte de mim, é claro, quer realizar esse desejo. É a mais consciente, talvez a mais salutar, a que vê que as coisas não estão tão bem assim e que já há muito tempo precisavam ser mudadas. Outra metade de mim não quer, por culpa, covardia, raiva ou acomodação. Essa parte é geralmente inconsciente e reprimida.

Manter-se acima do peso pode ser uma maneira disfuncional de evitar ou compensar algum problema emocional. E a forma que a pessoa encontra para resolvê-lo ou até mesmo tentar enfrentá-lo, ainda que inconscientemente, é através da ingestão de alimentos.

Portanto, é importante reconhecer que emagrecer vai muito além das dietas e da prática de atividade física. É preciso identificar os fatores emocionais que levam uma pessoa a um comportamento alimentar compulsivo e aprender a reconhecer os ciclos negativos de repetição. Só assim poderemos começar a neutralizar o sorrateiro e perigoso inimigo da auto-sabotagem.

Podemos, também, descobrir o que está por trás da auto-sabotagem fazendo perguntas a nós mesmos, tentando detectar culpas, medos, raivas ou nos lembrando dos registros negativos de infância. Consultar um psicoterapeuta pode ajudar a enfrentar este caminho com mais leveza e coragem!

Daniele Guimaraes2 

Daniele Pereira Guimarães é Psicóloga Clínica e atende na Clínica Raia



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