20
mar
poder-do-pensamento-1

Quais são seus pensamentos?


Por Marcos Justiniano

Suponhamos que você já sofreu algumas decepções amorosas na vida. Em uma oportunidade conhece uma pessoa muito interessante e marca um encontro às 19:00 horas em uma cafeteria. No dia marcado você chega às 18:45 horas e passa a aguardar a pessoa conforme o combinado. 19:05 horas e ninguém chega; 19:10 nada; 19:30 e a pessoa não chega; 19:50 e você continuava aguardando, mas diante da longa espera, desiste e vai embora. Quais são seus pensamentos?

Em uma outra situação, você está caminhando pela calçada e observa, vindo ao seu encontro, um colega do seu trabalho. Na empresa vocês conversam e se cumprimentam normalmente. Você tem certeza de que ele te viu. Continuam caminhando. Quando se cruzam, você faz menção de cumprimentá-lo, mas ele olha para o outro lado e passa direto sem te cumprimentar. Quais são seus pensamentos?

As duas situações acima, são exemplos de eventos que ocorrem em nossa vida. Em nosso dia-a-dia, vivenciamos várias situações, e em todo tempo estamos tendo pensamentos a respeito daquilo que vivemos. Muitos destes eventos podem despertar o que chamamos de pensamentos automáticos disfuncionais. São chamados de automáticos porque surgem em nossa mente de forma rápida e espontânea, e de disfuncionais porque nem sempre são válidos e condizem com a realidade.

Os pensamentos automáticos disfuncionais podem nos paralisar, nos impedir de conquistar, podem ser obstáculos em nossa vida profissional, social, familiar e ainda causarem o rompimento de relações conjugais e de amizade. São responsáveis por adoecimentos e sofrimentos. Mas como eles surgem?

Estão ligados à nossa forma de perceber o mundo, nossa história de vida, vivências e aprendizados. Palavras que ouvimos, exemplos que aprendemos, situações traumáticas, formaram um conjunto de crenças nucleares que são inconscientes e dão origem aos pensamentos automáticos disfuncionais. A maioria das pessoas não se dão conta de seus pensamentos e sim de suas emoções. Sabem, que algo as deixou tristes, deprimidas, frustradas, decepcionadas, com medo, mas tem dificuldade em identificar os pensamentos que antecederam estas emoções.

Os eventos desencadearão pensamentos automáticos disfuncionais, que por sua vez vão suscitar emoções e, por fim, comportamentos. Diante de uma situação podemos ter pensamentos automáticos que nos trarão emoções negativas e comportamentos indesejáveis ou inadequados.

Na primeira situação dada como exemplo, ao ficar esperando uma pessoa em um encontro marcado, dependendo de suas crenças nucleares, você pode ter os seguintes pensamentos: “Nunca dou certo com ninguém!”; “Sabia que isso ia acontecer!”; “Sou muito feio, ninguém gosta de mim!”. Esses pensamentos são automáticos disfuncionais. Quais são as evidências reais destes pensamentos? Você não sabe o que aconteceu com a pessoa que não foi ao encontro! Ela pode ter sofrido um acidente e não ter conseguido te avisar da impossibilidade de te ver. Poderia ter sido assaltada. Pode ter perdido a hora ou mesmo esquecido do encontro. Ou qualquer outra eventualidade. Porém, nenhuma destas valida seus pensamentos automáticos, que te farão ficar triste, deprimido, amargurado, decepcionado e não mais converse com aquela pessoa, nem mesmo para perguntar o que aconteceu. E talvez até faça com que você não queira mais marcar outro encontro com ninguém!

No segundo exemplo, você pode pensar: “Ele desfez de mim!”; “Ninguém se interessa por mim!”; “O que eu fiz pra ele?!”; “Só conversa comigo na empresa porque é obrigado!”. Da mesma forma, você não tem evidências que validem esses pensamentos. Talvez a pessoa não tenha olhado porque estava muito preocupada com o pai que acabou de ser internado. E você, com pensamentos que te farão ficar com raiva ou tristeza, noutro dia na empresa provavelmente não conversará com a pessoa ou nem olhará para ela.

Na maioria das vezes não nos damos conta de nossos pensamentos automáticos. Da próxima vez em que você for tomado por uma súbita tristeza, uma crise de ansiedade, raiva ou medo, procure identificar quais foram os pensamentos automáticos que tomaram sua mente. Identifique, questione e valide esses pensamentos. Busque as evidências do quanto esses pensamentos são verdadeiros. Verá que muitas vezes estava enganado. E assim, vai lidar com suas emoções de forma mais saudável e apresentará comportamentos mais adequados.

Quais são seus pensamentos?!

Marcos Justiniano

Marcos Justiniano é Psicólogo, Palestrante e Docente na Universidade Estácio de Sá em Mauá

Esse artigo foi publicado originalmente em www.psicologia.pt



admin