23
jun
suicidio-na-adolescencia-clinica-raia

O drama do suicídio na adolescência


Por Daniele Guimarães

Muito tem se falado sobre este assunto e sem sombra de dúvida, este é um tema que choca! Difícil de falar…. Até mesmo porque é inimaginável pensar na possibilidade de um adolescente querer morrer! Tanta vida, tantos planos e sonhos! O que será que está acontecendo? Onde vamos parar? Será que o jogo da Baleia Azul e os seriados influenciam? São muitas perguntas angustiantes em busca de respostas ansiosas…

É bem verdade que nossas crianças e adolescentes não tem aprendido a lidar com frustrações, e acabam enxergando no comportamento autodestrutivo uma saída para suas dificuldades. É como se, ao provocar uma dor física, a dor psicológica diminuísse. Muitas vezes essa agressão ao próprio corpo ocorre diante de uma vivência emocional forte que o adolescente não consegue elaborar de forma ajustada, usando este meio como forma de controlar suas emoções.

Porém, o suicídio resulta de uma complexa interação de diversos fatores. Não é meu objetivo aqui, detalhá-los. Mas abrir para uma discussão e dar voz para este assunto que tem crescido e alarmado os profissionais de saúde, e ainda é um tabu em nossa sociedade.

A adolescência é um período de muitas transformações e de inúmeros conflitos internos. Por isso, muitos sinais podem passar despercebidos por familiares ou amigos. “Adolescentes são assim mesmo!” “Isso é fase!” são falas que cansamos de ouvir. Sim, muitos comportamentos são típicos da adolescência e fazem parte do processo de transição. Porém, devemos nos colocar numa posição de escuta para entendermos a dor e o sofrimento daqueles que optam pelo comportamento autodestrutivo ou até mesmo pelo “querer morrer”. Tentar entender essa angústia é abrir os olhos e enxergar a nossa impotência em reconhecermos que diante de nós está alguém que nos é importante e que quer morrer. Eis a dificuldade. E talvez o motivo do “não querer ouvir”…

Desenvolver uma escuta atenta sobre as angústias do adolescente é um bom começo. Tentar compreender a forma como vivencia seus conflitos emocionais… E caso tenha dúvidas de como abordar ou conversar sobre, busque um profissional que seja capaz de auxiliar e tratar essa dor.

O importante é dar voz àqueles que sofrem, na tentativa de resgatar o “querer viver”!

Daniele Guimaraes2

Daniele Guimarães é Psicologa e atende na Clinica Raia – CRP: 06/115301



admin