28
set
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Quando o ruído não nos permite ouvir a nossa voz orientadora


por Joana de São João Rodrigues

Quantas vezes nos apercebemos que em determinadas situações não conseguimos estar em contacto com a nossa voz orientadora… e que apesar de nos apercebemos disso seguimos, meios perdidos, no emaranhado do ruído? Quantas vezes nos apercebemos que tomámos determinadas decisões, sem termos realmente contactado com a nossa verdadeira voz orientadora / vontade real? Nunca? Algumas vezes? Muitas vezes?

Provavelmente, quem se apercebeu ter passado por isso, também talvez se tenha apercebido, que quando nos permitimos aguardar por um silêncio, que permita ouvirmos a nossa voz orientadora, a nosso decisão é sentida de forma mais intensa, mais genuína, mais nossa. Quando nos permitimos estar em contacto com essa nossa parte, e conseguimos diminuir o volume do ruído (outras opiniões de outras pessoas, a voz do nosso medo…), seguimos com mais certezas, mesmo que tropecemos no passo seguinte! Mas a sensação de “é isto que quero, é isto que eu preciso, é esta o caminho que me faz sentido agora!”, só surge quando realmente vamos conseguindo colocar o nível do som, adequado. Quando nos conseguimos ouvir!

Em determinadas fases, podemos andar mais focados no trabalho, na concretização de determinados objectivos, e entramos em piloto automático, onde o ruído é ensurdecedor, e simplesmente vamos fazendo, vamos seguindo… É essencial libertarmo-nos do ruído que nos consome e para isso, permitirmo-nos ter o nosso momento de introspecção torna-se uma necessidade.

E para conseguirmos perceber o que é ruído:

– Pensamos mais no que estamos a sentir e no que nos faz sentir feliz ou no que achamos que as pessoas vão pensar? Pensamos mais nos nossos sonhos e no que eu quero atingir ou no que achamos que os outros esperam de nós?

O primeiro passo é conseguirmos identificar a nossa voz, a nossa vontade e o ruído. Para, de seguida, conseguirmos cada vez mais ir ajustando esse volume… e definirmos a melodia que queremos para nossa companheira de viagem!

Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Joana de São João Rodrigues   Joana de São João Rodrigues é Psicóloga, Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos e especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. Possui licenciatura e mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. É Pós-Graduada em Educação Social e Intervenção Comunitária e Membro Associado da Associação Portuguesa de Terapias Comportamental e Cognitiva.

 

Artigo publicado originalmente no site Psicologia.pt



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